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quinta-feira, outubro 30, 2003

 
Perfil de Gamela publicado no Correio Brasiliense

Texto de Christiana Suppa

Ele foi o professor de violão de músicos que começaram a vida artística em Brasília e hoje fazem sucesso mundo afora

Herbert Vianna, Cássia Eller, Dado Villa-Lobos, Zélia Duncan, Rosa Passos, Nelson Faria, Paulo Ricardo, Lula Galvão, Daniel Santiago, Hamilton de Holanda, Márcio Faraco. O que esses músicos têm em comum? Todos foram alunos do Gamela, o professor de violão mais respeitado de Brasília (provavelmente do Brasil, na opinião unânime dos pupilos). Seus ensinamentos transcendem a música. Formou músicos e cidadãos e tornou-se para muitos um verdadeiro guru. Mais do que tocar, Gamela ama ensinar e acredita que a arte molda a vida.

A aparência frágil não faz justiça ao talento desse violonista. Gamela tem pouco mais de um 1,70 metro e pesa 57 quilos. Por conta de um câncer, já retirou dois metros de intestino, quase não tem estômago. Também teve duas hérnias de disco, artrose e fratura de medula. Fez três cirurgias espirituais com o Doutor Valentim, do Gama, e ficou cinco meses internado no Hospital Sarah Kubitschek. É mais ‘‘fluido do que carnal’’, como gosta de repetir. Anda com dificuldade e está reestabelecendo os movimentos da mão direita, esmagada por uma máquina de Raio X.

Já tocou em bares, bailes, orquestras, na zona, em cima de telhado. Quando não está tocando, está pensando em música. Vive a música 24 horas e um minuto. Também acompanhou artistas famosos como Silvinha Teles, Ivon Cury, Marisa Gata Mansa, Nelson Gonçalves, Ângela Maria, Dalva de Oliveira e Peri Ribeiro. Aos 60 anos, sem tocar há quase três, só agora começa a retomar o violão. Ao mesmo tempo em que trabalha na elaboração de seis livros didáticos, fortalece os músculos com a ajuda de um aparelho de fisioterapia para encarar o próximo desafio: gravar, no início do ano que vem, um disco com o amigo gaitista Maurício Einhorn.

Falante, não lhe faltam histórias para contar. Todas alegres e divertidas. A memória é fantástica, com precisão de datas e detalhes. Lembra dos músicos que acompanhou, das orquestras em que tocou e até de quando era esportista. A amizade com grandes nomes da MPB, como Baden Powell, também está sempre na pauta. Nas aulas de uma hora, só ensina nos primeiros dez minutos. O resto do tempo passa conversando sobre a natureza, o vento, os pássaros. Filosofando sobre vida e música. Os alunos é que vão a sua casa. As aulas são na sala, com a televisão ligada e, quase sempre, acompanhada por bicões. ‘‘É para eles aprenderem a se concentrar’’, justifica.

Exigente, nunca elogia os alunos. Nem os melhores. Quando diz que o som ‘‘tá uma m...’’, já é um bom sinal para eles. Quando dorme durante a aula, então, é a glória. Sinal de que os acordes estão no tom certo. Fala até dormindo: ‘‘Sobe o baixo’’ é uma das frases mais ouvidas pelos alunos. Até hoje pega no pé do violonista Nelson Faria e do guitarrista Lula Galvão. Puxa a orelha, critica e dá conselhos quando acha que eles estão na direção errada.

Nem quando esteve internado no hospital, perdeu o bom humor. Com o quarto cheio de amigos, conversando como se estivessem na mesa de um bar, ele gritava para a enfermeira: ‘‘Desce mais uma dose de morfina aí’’. Ele tomava quatro por dia.

Os amigos são seu grande tesouro. Eles só têm elogios para o mestre. ‘‘Me sinto privilegiado de ter podido estudar com ele e até hoje desfrutar de seu conhecimento’’, revela Nelson Faria, que acompanha o cantor João Bosco em turnê pela Europa. ‘‘Ele é o Joe Pass brasileiro’’, compara a cantora Rosa Passos. ‘‘A maneira dele tratar a música, fazendo analogias com a realidade, é muito especial’’, constata Daniel Santiago, que atualmente está dirigindo o show da cantora Mariana de Moraes, neta do Poetinha.

Foram esses amigos que além de o ajudarem financeiramente durante quase um ano — quando esteve impedido de dar aulas —, fizeram Gamela suportar os cinco meses de internação.

Casado e pai de duas filhas, mora extra-oficialmente em Brasília há 32 anos. A residência oficial fica em Anápolis, onde mora a família. Passar quatro dias por semana em Brasília e os outros três em Goiás foi a forma que encontrou para manter o casamento de quase 40 anos.

NO CEMITÉRIO O paulista Sidney Barros não atende pelo nome. Recebeu o apelido Gamela aos 7 anos, quando ainda morava em Barretos, onde nasceu e onde o pai tinha uma tinturaria e chapelaria. Muito magrinho, certo dia um vizinho o viu comendo e disse à mãe: ‘‘Tem que botar esse moleque pra comer numa gamela’’. O apelido pegou. Anos mais tarde, foi conferir no Aurélio o significado do codinome. Travessa de madeira, tribo de índio e professor sem diploma. ‘‘Não é que deu certo?’’, surpreende-se. Sem nunca ter estudado música — tudo que sabe descobriu sozinho — já deu aula e formou muitos professores e instrumentistas.

Criticar faz parte da personalidade. Ele fala mal de todo mundo:
Tom Jobim, Djavan, Gilberto Gil, Chico Buarque e até dele mesmo. Uma vez perguntou a Dado Villa-Lobos, ex-Legião Urbana, e a Herbert Vianna, do Paralamas do Sucesso, se eles sabiam quando tocariam bem. Ele mesmo deu a resposta: ‘‘Daqui a vinte encarnações. Isso se eu tiver paciência pra vir junto ensinar’’. Já o Oswaldo Montenegro não durou muito tempo como seu aluno: ‘‘Mandei ele embora’’.

A música fez parte da vida de Gamela desde cedo. Cresceu ouvindo Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan na casa do vizinho Velú. Mas o dia que ouviu João Gilberto mudou tudo. Pela primeira vez teve vontade de tocar um instrumento. Tinha 15 anos e o único que conhecia era o violão Del Vecchio 7 bocas em que o vizinho tocava as músicas do Trio Los Panchos. Perturbou tanto que o pai lhe prometeu o instrumento de presente de aniversário. Mas tinha pressa, não podia esperar. Trabalhou feito um louco a madrugada inteira na confecção de chapéus e conseguiu com o pai o dinheiro para realizar o sonho.

Dinheiro na mão, correu para a loja do Seu Caetano. Quando o comerciante brincou dizendo que já tinha vendido o instrumento, Gamela chorou feito criança. Comovido, Seu Caetano lhe vendeu o Del Vecchio pela metade do preço e não ficou surpreso ao ver, apenas seis meses depois, o rapaz tocando na orquestra de Rio Preto, terceiro centro musical do país na época. Autodidata, ele se virava como podia.

As coisas vão acontecendo sempre ao seu tempo na vida de Gamela. Foi assim quando ele substituiu um músico no clube de Barretos e recebeu o convite para tocar na orquestra de Rio Preto. Também foi por acaso que Gamela se mudou para Goiânia, em 1966, onde trabalhou numa emissora de TV que pegou fogo. A solução foi dar aulas de violão, e assim ele abriu sua primeira escola de música.

Espírita, ele sabe muito bem qual é sua missão na Terra e diz que ainda precisa viver muito para cumpri-la. Seu lema é não esmorecer para não desmerecer. Assim, vai levando a vida com simplicidade, sem nenhum luxo. Já perdeu as contas dos músicos que formou e das aulas que deu de graça. Sucesso para ele é estar satisfeito com a vida e ter os amigos que tem. Não toca pelo dinheiro, mas por prazer. ‘‘Se eu fosse cobrar dos meus alunos o que passo pra eles, estaria milionário’’, brinca.

‘‘O João Bosco não seria o que é sem o Nelson Faria, nem o Guinga, sem o Lula Galvão.’’

‘‘Falei uma vez pro Márcio (Faraco): Você não vai ser nem violonista, nem guitarrista, nem cantor, nem compositor. Vai ser um pouco de cada.
Não deu outra.’’

‘‘A Cássia Eller era uma pessoa que eu admirava porque ela era o que era. Nunca escondeu de ninguém.’’


 
Recitais de Paulo Pedrassoli em novembro no RJ

Dia 4 terça-feira às 12:30h e 18h, a CAMERATA DE VIOLÕES CBM (Paulo Pedrassoli, Gaetano Galifi, Bruno Correia, Lenine Vasconcellos, Valmyr de Oliveira, Rogério Borda, Antônio Mello e Artur Gouvêa) se apresenta no Centro Cultural Justiça Federal, no centro. No programa, uma homenagem a Lorenzo Fernandez, no dia em que ele completaria 106 anos. O CCJF fica na Av. Rio Branco, 241(Cinelândia). Ingressos no local. (Tel. 3212-2588)

Dia 5 quarta-feira às 18h, Paulo Pedrassoli recebe Fábio Zanon na série “Os Violonistas” da UERJ CLÁSSICA. No programa, verdadeiras obras primas do repertório violonístico brasileiro: os 12 Estudos de HEITOR VILLA-LOBOS e os 12 Estudos de FRANCISCO MIGNONE, na interpretação de Pedrassoli e Zanon, respectivamente. O recital acontece no Teatro Noel Rosa (campus da UERJ – próximo ao portão 7 – estação maracanã do metrô). ENTRADA FRANCA.

Dia 9 domingo às 17h, no Museu Imperial de Petrópolis (Rua da Imperatriz, 220), Paulo Pedrassoli faz recital em homenagem ao grande compositor petropolitano CÉSAR GUERRA-PEIXE, com a participação do jovem talento Gabriel Rocha Pitta. No programa, obras de Guerra-Peixe, Villa-Lobos e José Vieira Brandão. ENTRADA FRANCA e transmissão AO VIVO pela Internet no site www.museuimperial.gov.br

Dia 11 terça-feira, às 12:30h e 18h, a CAMERATA DE VIOLÕES encerra temporada no CCJF (ver dia 4).

Dia 13 quinta-feira, às 19h, é o dia dos violões na XV BIENAL DE MÚSICA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA. É a primeira vez que a organização do evento se vê obrigada a dedicar um programa inteiro ao violão, tal o volume de obras inscritas este ano. Excelente sinal de que o violão no Brasil está mais vivo que nunca! O recital acontece na Sala Cecília Meireles e conta com a participação dos violonistas Paulo Pedrassoli, Nicolas de Souza Barros, Maria Haro, Bruno Correia, Artur Gouvêa, Antônio Mello, Gaetano Galifi, Fabio Adour, Rubens Tubenchlack, quinteto “A Camarilha”, além de Colin Benn (viola), Carlos Soares (sax), Flavio Henrique Medeiros (bandolim), Laura Rónai e Carlos Almada (flauta), que tocarão obras inéditas de compositores brasileiros.

Dia 16 domingo, às 16:30h, Paulo Pedrassoli e Sara Cohen (piano) fazem estréia da Suíte para Piano e Violão de Daniel Puig, na BIENAL (Sala Cecília Meireles).



terça-feira, outubro 21, 2003

 
Mestre do choro, Jacob do Bandolim tem obra recriada em disco duplo

Jacob do Bandolim deu identidade nacional ao instrumento que adotou até no sobrenome artístico. Além de consolidar o bandolim como instrumento solista na música brasileira, Jacob ainda se firmou como magistral compositor de choro. Ao morrer, em 13 de agosto de 1969, o músico carioca deixou rico legado musical – recriado no disco duplo Ao Jacob, seus Bandolins, lançado esta semana pela gravadora Biscoito Fino.




 
Nova biografia sobre Villa Lobos

Acabou de sair pela Editora FGV o livro Heitor- Villa-Lobos, onde seu autor, Paulo Renato Guérios, faz uma imersão pela trajetória de vida do compositor o mais desvinculada possível do personagem criado por outras biografias, críticos e até pelo próprio Villa. Para obter esse resultado, ele se apoiou na pesquisa dos diversos contextos sociais vividos por ele.




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